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Não tenho qualquer memória de comer polenta até me ter mudado para o Algarve. Seja pela influência angolana da família do meu namorado, onde se chama pirão; ou por ser um dos pratos típicos algarvios, o Xerém.
A polenta, ou sémola de milho, é também um dos cereais mais apreciados da alimentação macrobiótica. Tradicionalmente é feita de milho amarelo, que é deliciosamente carregado com carotenóides – os compostos especiais que são responsáveis ​​pelos pigmentos vermelho, laranja e amarelo nas frutas e legumes. Os carotenóides são poderosos antioxidantes que protegem as células dos danos causados ​​pelos radicais livres. Acredita-se que os carotenóides, e especificamente o betacaroteno, aumentam a função do sistema imunitário.
Atualmente, são inúmeros os estudos que recaem sobre as potenciais propriedades anticancerígenas dos carotenóides, uma vez que demonstraram a capacidade de estimular a comunicação célula a célula. De acordo com estes estudos, acredita-se que a má comunicação entre as células pode ser uma das causas do desenvolvimento excessivo de células, uma condição que pode levar ao cancro. Ao promover a comunicação adequada entre as células, os carotenóides podem desempenhar um papel na sua prevenção. Os carotenóides são uma substância solúvel em gordura, o que significa que eles devem ser ingeridos com gordura para serem absorvidos pelo corpo. Para garantir que ha a absorção de carotenóides,inclua sempre fontes saudáveis ​​de gordura em todas as suas refeições, como um fio de azeite ou outras gorduras vegetais.
A minha recomendação é que, sempre que possível, compre alimentos orgânicos certificados, mas no caso do milho é especialmente importante pois o milho orgânico é não-geneticamente modificado, não contendo resíduos de pesticidas prejudiciais.
Falando sobre a versatilidade da polenta: pode cozinha-la até ficar com uma consistência aveludada criando uma almofada cremosa e amarela para que os vegetais se possam deitar, como na nossa receita; também é delicioso com pratos mais picantes, como ensopados à base de tomate. Pode optar por a cozinhar com menos líquido, espalhando-a numa assadeira e, depois de arrefecer, cortar e assar (ou fritar).
A inspiração para esta receita vem de um dos meus livros de cozinha favoritos, O Livro de Cozinha da Marta, escrito pela incrível Marta Varatojo. Escolhi uma mistura de vegetais verdes sazonais para ficar no topo da polenta para uma combinação a condizer com a primavera. Espargos, alho francês e ervilhas doces são uma das minhas combinações favoritas.
Um aviso sobre cozinhar polenta: literalmente borbulha como lava quando ferve, por isso mantenha uma tampa durante a preparação!

Sónia

 

POLENTA PRIMAVERIL

INGREDIENTES

1 chávena de polenta 

4 – 6 chávenas de caldo de legumes ou água

2 cebolas pequenas

250 gr de espargos

50 gr de alho francês

1 chávena de ervilhas 

1 chávena de ervilhas 

Azeite

1 dente de alho ralado

Sal marinho q.b.

Limão

PREPARAÇÃO

Numa panela grande, junte o azeite e o alho ralado e deixe dourar. Adicione o caldo de legumes (ou a água) e deixe levantar fervura. Adicione o sal marinho e lentamente despeje a polenta, mexendo para evitar que crie grumos. Mexa constantemente por alguns minutos, reduza o fogo e deixe cozinhar. Mexa a cada cinco minutos. 
Enquanto a polenta cozinha, prepare os vegetais. Corte as cebolas em rodelas finas. Lave, apare e corte os espargos na diagonal em pedaços de cerca de 2,5 cm. Lave e prepare o alho francês, cortando-o finamente. E reserve as ervilhas. 
Numa frigideira grande, aqueça um pouco óleo de sésamo e junte as cebolas e uma pitada de sal. Deixe cozinhar em médio até dourar (cerca de 10 minutos). Em seguida, adicione as ervilhas e os espargos. Cozinhe por 2-3 minutos e em seguida, adicione o alho francês. Esprema meio limão por cima. Tempere a gosto. 
Para servir, coloque uma porção de polenta num prato, acrescente os legumes cozidos e tempere com um fiozinho de azeite de qualidade.

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